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16 nov, 2006

Embrulhar peixe não dá, mas….

Posted by: Natalia Yudenitsch In: coaching| comunicação| comunicação interna| web

O jornal de ontem, como sabemos, tem muitas utilidades –mas e a notícia online da semana passada? Para que serve?

Para o jornal impresso já fomos bem treinadinhos: sabemos que depois de lido, grifado ou recortado ele passa por uma reciclagem e pode ser visto na gaiola do passarinho, forrando o chão durante a pintura da parede ou embrulhando o peixe fresco na feira. Mas o que fazer com os jornais online de ontem??

Porque este também se acumula, criando volume em bancos de dados e data centers. E para quê? Claaaaro, é mais do que óbvio que a principal utilização da notícia online antiga é formar o Arquivo do veículo online ou empresa que a publica. Essa prática tem a vantagem de digitalizar o acervo da publicação –se o conteúdo online for o mesmo ou superior ao impresso— e democratizar o acesso à este tipo de informação, que antes só poderia ser encontrada na sede física do veículo.

Mas… bem, a verdade é que apenas TER este arquivo disponível online não basta. Mais ainda: uma mídia como a internet deveria ter a capacidade de reciclar o uso do jornal online no mínimo de forma mais ágil do que sua similar impressa – e tem.

Uma compilação de razoável volume de notícias em formato digital pode gerar um sem-número de produtos, subprodutos e aplicações. O clipping segmentado, vendido por nome de empresa, setor ou palavra-chave é só a ponta do iceberg.

Bancos de referências, relatórios setorizados, análises de mercado, perfis de determinadas empresas, políticos ou profissionais, projeções de cenários econômicos, sociais ou políticos, base para pautas futuras, criação de comunidades temáticas, canal de comunicação com o cliente ou até o desenvolvimento de produtos especiais comemorativos. Todos produtos que usam o acervo noticioso como matéria-prima, todos potencialmente comercializáveis, com opções de venda de espaço publicitário ou cotas de patrocínio.

O detalhe importantíssimo para esses tempos sisudos de internet business é que são todos possíveis focos de geração de receita, desde que tratados com o bom senso de seus similares da economia tradicional.

Infelizmente, porém, repito: não basta apenas ter o tal acervo para gerar esses subprodutos. É preciso que a massa noticiosa esteja classificada, linkada, rotulada e que seja muito, mas muito facilmente localizável. Isso significa que, se este conteúdo não foi inserido já com todas as referências que vão importar para a criação de produtos futuros, o quadro se complica bastante…

Para isso vale o lema quanto mais cruzamento de informações melhor – “desde que com foco, que fique bem claro”, acrescentaria qualquer programador aterrado com a possibilidade de ter de montar um banco de dados colossal, complexo ao extremo e cheio de redundâncias.

Bom, mas e o peixe? Que peixe? Aquele que ia ser embrulhado no jornal, ora. Bem, na internet o peixe que temos é aquele que precisa ser vendido. Por que não embrulhá-lo nas notícias digitais então?

Seja lá qual for seu peixe: e-commerce, consultoria, conteúdo, serviços financeiros ou publicidade, tudo pode ser embalado com o jornal online. Estou falando de notícias, informações, a voz da empresa que está querendo vender o peixe. Podem ser notícias da empresa, sobre a empresa, sobre sua área de atuação, fornecidas por consumidores, colhidas por pesquisas, sugeridas por usuários ou levantadas por funcionários.

O resultado é o mesmo do que vemos na vida real: estamos ficando acostumados a comprar nossos peixes virtuais embrulhados em conteúdo noticioso. E, puxa, estamos ficando exigentes. Queremos cada vez mais que o papel digital seja de qualidade, que as informações sejam checadas, que as fontes sejam transparentes e ainda por cima que este conteúdo possa ser moldado e modificado por nós, algo absolutamente impensável no jornal de papel.

“Ok”, podem dizer vocês, leitor e leitora, “mas o que concluímos de toda essa conversa de peixe e jornal??”.

  • Em primeiro lugar, que antes de ir colocando informações no ar é preciso montar muito bem a infra-estrutura que vai comportá-las

  • Segundo, as conexões entre essas informações têm que ser planejadas de acordo com o MÀXIMO possível de utilizações futuras daquela base

  • Terceiro: se não tiver informações para oferecer, seu peixe pode ser o único que vem desembrulhado e encalhar no balcão, ou seja, abra um canal de comunicação e fale com o cliente

  • Quarto: na net, o peixe vem com temperos e acompanhamentos que são embrulhados no mesmo jornal e ainda podem ser mais caros do que o próprio peixe

Enfim, foi só uma conversa de feira –da arte de conquistar o cliente, de marcar presença no mercado e acima de tudo de vender seu peixe.

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